Um tempo sem medida 744

DES-ORIENTAÇÕES SOBRE ESTA EXPOSIÇÃO


A prática do Carlos é CILÍNDRICA

afirma-se para cima e para baixo sempre à mesma largura : repete-se. 

é constante - é basilar - é fundacional 

instaura qualquer coisa, mesmo que não saibamos o que é

é surpresa: talvez, talvez


O QUE SE REPETE SURPREENDE-NOS

balança balança balança mas não cai. Contínua continua sem diferença

[ou com diferença de notas menores - as que importam às desorientações] 

suspensa, pesada, sustentada


O QUE SE REPETE PRENDE-NOS

o movimento regular prende os olhos mas também o corpo. 

A dança casa-trabalho-casa parece ser evocada devagarinho;

em sussurro e com vontade do ramerrame 

que nos acarinha a mão treinada 

que nos empurra de volta ao trilho 


O QUE SE REPETE?

as relações do tempo com a consistência;

ESPARGUETE COM TINTA DE CHOCO COZE-SE 

COM A MESMA MEDIDA DE TEMPO QUE O [[ outro ]] ESPARGUETE.


O movimento e a cor andam de mãos dadas. 


A consciência do tempo é _________ (variável) 

e enlaça-se - como quem diz casou - com a duração

As sensações articulam-se com as percepções 

e deste combo resultam os sentidos da vida, 

inventados no decorrer das estórias,

mas também a experiência do tempo. 

O conhecimento do tempo é já outra matéria. 

Razão e sentimentos articulados, mas não reunidos. 


SINESTESIA

a sincronia e os sentidos articulam-se,

o som alimenta-nos de imagens. 


TIC - TOICS, TIC - TOICS

circular 


RESUMO: a construção do Olhar é sinestésica.


BURACO, VAZIO, RESISTÊNCIA, ROTINA


os títulos de Carlos têm uma mensagem subentendida 

mesmo que ele ainda não o saiba

[prestar atenção!]

e

a sua prática articulada entre para-obra e obra-ela-mesma 

diz-nos que o movimento é fundamental

assim como a estrutura que o estrutura,

mas que o importante é a magia que lhe sai fora.


O entusiasmo que vem da estrutura é A obra

e não os detalhes construtivos 

que poderíamos ter dificuldade em acompanhar



por fim, o mais relevante



compreender os sinais 
à luz ::
EVIDÊNCIAS.


&


Compreender os sinais 
pelas sombras ::
INTELIGÊNCIAS.



(texto de Catarina Real)