ARACNE 991

É com grande prazer que anunciamos "ARACNE", a primeira exposição individual de Francisca Aires Mateus na galeria.

Abertura : Terça-Feira, 8 de Junho | 17:00 - 21:00
Duração : 08.06 - 30.07.2021

Em Aracne “Francisca Aires Mateus estabelece uma duplicidade entre dois princípios de conhecimento: o primeiro assenta nessa ideia de transformação, essa metamorfose que resgata a odisseia efabulatória de Atena e Aracne em Metamorfoses [1], o texto matricial do poeta Ovídio, que nos confronta com a vaidade, a inveja, e a cólera, mas também com a tomada de consciência e com a superação em prol de um bem maior, a proficiência e a sua expressão artística, poética e libertadora.  O segundo princípio desenvolve-se através de um processo analítico e narrativo sobre a morfologia e as características biológicas das aranhas. Estes dois tópicos constituem uma peça sonora que se expande no espaço da galeria, estando plasmados em duas vozes de mulheres que lêem dois textos que nos colocam entre a efabulação e uma descrição científica, embora generalista, dos aracnídeos. A experiência do lugar e da obra só se concretiza com a acção do espectador quando este dedilha o instrumento, que reconfigura uma relação escultórica e arquitectónica com o espaço da galeria e com os intervalos das vozes, que sem se repetirem são introduzidos numa ordem aleatória entre a condição de Aracne e a vida natural das aranhas. Entre a mitologia e o repertório constitutivo destes seres essenciais à vida na terra. Entre a observação e audição dessas vozes e a acção do espectador sobre uma ou mais cordas, tecendo uma rede de relações de sentido que, embora irrecuperável, se projecta no tempo do acto e assim numa dimensão do imaginário individual e subjectivo de cada participante."

João Silvério, "Aracne: da experiência irrepetível da metamorfose“ (excerto)

[1] ARACNE, Fable I, Book VI, The Metamorphoses of Ovid (Trad. Henry T. Riley), Londres, Bel l& Daldy, 1871.