É com muito prazer que anunciamos Mulher Na __________, a segunda exposição individual de Ana Rebordão na galeria.
INAUGURAÇÃO
Quinta-Feira , 15 de Outubro | 17 – 20 H
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DURAÇÃO
15.10 – 28.11.2025
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Há uma dimensão performativa naquilo que se aprendemos a reconhecer como mulheridade. Uma sucessão de gestos, comportamentos, imagens e expectativas que, através da repetição, adquirem a aparência de uma condição natural. O género, contudo, não antecede as práticas através das quais se manifesta, antes se constitui na sua reiterada encenação. É também nes- sa repetição que reside a possibilidade do desvio, da interrupção ou da falha, abrindo espaço para interrogar a estabilidade das convenções que organizam a experiência social das mulheres. Entre aquilo que se espera de um corpo e aquilo que esse corpo efetivamente faz, instala-se uma distância onde o absurdo pode adquirir uma particular potência crítica.
INAUGURAÇÃO
Quinta-Feira , 15 de Outubro | 17 – 20 H
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DURAÇÃO
15.10 – 28.11.2025
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Há uma dimensão performativa naquilo que se aprendemos a reconhecer como mulheridade. Uma sucessão de gestos, comportamentos, imagens e expectativas que, através da repetição, adquirem a aparência de uma condição natural. O género, contudo, não antecede as práticas através das quais se manifesta, antes se constitui na sua reiterada encenação. É também nes- sa repetição que reside a possibilidade do desvio, da interrupção ou da falha, abrindo espaço para interrogar a estabilidade das convenções que organizam a experiência social das mulheres. Entre aquilo que se espera de um corpo e aquilo que esse corpo efetivamente faz, instala-se uma distância onde o absurdo pode adquirir uma particular potência crítica.
A casa assume-se como um dos territórios privilegiados dessa construção. Historicamente associada às mulheres, à or- ganização da vida quotidiana e ao trabalho frequentemente invisibilizado, a domesticidade corresponde não apenas a uma distribuição material de tarefas, mas também a um repertório de imagens, movimentos e obrigações. Cozinhar, limpar, cuidar ou simplesmente permanecer num determinado espaço são ações atravessadas por convenções que estabelecem modos de presença e de reconhecimento. Na sua segunda exposição individual na NO·NO Gallery, depois de Dentro (2023), Ana Rebordão prossegue uma investigação sobre os papéis socialmente atribuídos às mulheres e os dispositivos que participam na sua re- presentação. A deslocação do ateliê para o espaço doméstico, determinada por circunstâncias da vida da artista, converte uma contingência biográfica numa possibilidade de experimentação artística. Em Mulher na__________, a casa deixa de ser apenas o lugar onde a obra é produzida para se tornar matéria da própria investigação.
A imagem fotográfica, suspensa no espaço expositivo e acompanhada por um texto no verso, aproxima-se formalmente de um ícone, convocando uma tradição visual de veneração e representação que encontra na figura da mulher, e particularmente na maternidade, um dos seus motivos recorrentes. A sequência de vídeos, apresentada no piso inferior, organiza-se como uma sucessão de episódios, construindo uma temporalidade fragmentada na qual cada situação parece anunciar uma possibilidade de desenvolvimento que permanece suspensa. A fotografia, o vídeo e a performance articulam-se sem que a especificidade técnica ou a autonomia disciplinar de cada meio constitua uma finalidade da investigação. A ação atravessa estas diferentes formas de apresentação, mas a obra não se esgota no acontecimento performativo nem se reduz à sua documentação.
A fuga, o esquecimento, o fogo ou a explosão insinuam-se enquanto possibilidades de rutura, sem necessariamente se consumarem. O fogo convoca simultaneamente a destruição e o desejo, aproximando a ameaça de uma sexualidade latente num universo regulado pelas convenções da domesticidade. A construção de um perfil numa aplicação de encontros prolonga esta investigação para o território das tecnologias contemporâneas de mediação do desejo. A apresentação de si transforma-se numa nova operação performativa, condicionada pelas categorias, pelos procedimentos e pelas expectativas de reconheci- mento que estruturam a plataforma. Nesse contexto, o amor surge sexualizado e convertido numa opção entre outras, apre- sentado como uma possibilidade de escolha individual, embora essa escolha seja frequentemente produzida pela escassez e pela falta de alternativas reais.
Entre a ironia e a inquietação, Ana Rebordão explora as contradições de uma experiência na qual a possibilidade de agir não significa necessariamente a possibilidade de escolher. O absurdo não corresponde aqui a uma suspensão da realidade, mas a um procedimento que torna percetíveis os seus mecanismos de normalização. O espaço em branco inscrito no título da exposição prolonga esta indeterminação, recusando fixar a mulher num lugar definitivo, ao mesmo tempo que evidencia a persistência dos lugares que lhe continuam a ser atribuídos.
ANA CRISTINA CACHOLA
Outubro de 2026
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ANA REBORDÃO
Mulher Na __________
15.10 – 28.11.2026
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Texto de exposição : Ana Cristina Cachola
Fotografia : Bruno Lopes